Feeds:
Posts
Comentários

Archive for abril \21\+00:00 2010

Lembro também…

Por Alexandre e Cia.

Preparação/treinamento corporal para atuação no Dança em Jogo.

Na tarde de quinta-feira, 25 de fevereiro começamos no aquecimento individual: articulações, sensibilização da pele, exploração dos níveis, rolamentos. A seguir trabalhamos 2-2 o corpo sutil, explorando a movimentação no entorno do parceiro. O corpo que sente a movimentação, a aproximação e os deslocamentos. A Geo inventou o “Jogo do feiticeiro e da feiticeira”: nesse jogo, alternadamente tem-se o “poder” sobre a pele do outro.

Em jogo – Tiro de improvisação. Começamos com o “jogo de palavras”; havia a indicação de que quando alguém deslocasse e não parasse, o grupo todo continuaria e seguiria o jogo pelo movimento, pela dança. Aconteceram muitas coisas nessa improvisação. Lembro que logo no começo brincamos rodando de bater palmas e cantamos uma parlenda. Houve um momento em que o Ders ficou preso e conseguiu sair com o “poder” que irradiava do umbigo – cada vez que alguém entrava no espaço ele irradiava seu poder e lançava quem tinha entrado para fora da cena. Lembro também que brinquei de “andar no meio-fio e chutar pedras”, contei a história de quando cai de bicicleta e quebrei o braço; a Dafne contou a história do amigo invisível e teve a história das “antenas de TV”. A Georgia disse para não representar literalmente a narração do outro, pois o movimento por si só pode gerar muitas outras leituras. A cena final começou quando formamos a “fila das palavras” e fomos encadeando outras imagens. Nesse momento entramos em uníssono. Depois aconteceu uma história de ir chegando no silêncio e a Dafne puxou o som da voz percutindo na laringe. Assim retomamos a imagem das “antenas de TV”. Alguns saíram pela lateral e outros pela porta. Estela sentiu que houve pouca variação de dinâmica e que ainda há dificuldade em encontrar um final comum. No final a Georgia salientou que devemos prestar atenção nas entradas e saídas para que possam acontecer solos, duetos, trios etc. Disse ainda que viu pouca dança, que falamos muito.

É preciso deixar a imagem poética perdurar no tempo para acontecer e instaurar leituras.

Read Full Post »

Por Dafne Michellepis.

Fizemos um ensaio do “Dança em Jogo” para duas turmas de crianças do grupo Verde da Escola Viva  (Verde lá significa o antigo pré-primário, atual 1º ano da Educação Infantil – 6 anos). Recebemos no dia 09 de março de 2010, estes grupos na Universidade Anhembi Morumbi, que gentilmente nos concede residência.

Para nós era uma oportunidade de iniciar o “Dança em Jogo – exercício cênico” com público. Porém, havia o diferencial de que no ano passado, uma semana antes de dançar, a Balangandança ia até a Escola que levaria as crianças para nos assistir e lá, no espaço delas, faziamos um primeiro contato.

Neste ano, não teríamos este primeiro contato com as crianças. Isto significa que não faríamos a sensibilização para o que eles iriam presenciar. Como almejamos fazer desta experiência um exercício cênico, continuamos refletindo: como podemos de maneira não somente didática,  mas também estética, convidar quem assiste a mergulhar no universo da dança? Como a linguagem da improvisação na dança para criança pode ser envolvente, estimulante, contemplativa e significativa?

Terça-feira, 09 de março.

Chegada do primeiro grupo: A Georgia recebeu as crianças e professoras dando as boas vindas e contextualizando a situação e o ambiente.

Nós, dançarinos estávamos cheios de questões. Provavelmente o público também, mas a idéia era mesmo correr o risco de deixar a cena  se desenvolver no exercício do improviso.

“O corpo dá a mensagem”

Quando acontece o jogo, quando há repetição, presença e atenção no movimento, a dança  se estabelece. Há espaço e apoio para os elementos se transformarem. Ficamos atentos para a possibilidade de criarmos imagens, mas não conduzir a histórias lineares.

Existia assim, a possibilidade de quem estivesse fora da cena entrar e interferir.

Estar dentro ou estar fora, este é o jogo nesta criação artística.

Após o primeiro grupo sair, conversamos muito para fazer ajustes para o segundo encontro, mas continuávamos com questões: como dar a indicação para as crianças entrarem e saírem de cena? Como ir mais fundo na brincadeira e desenvolvê-la fazendo virar dança? Qual seria o melhor início para o dia de hoje?

A seguir o relato de alguns depoimentos das crianças registrados pela professora  Fernanda Gusso após o exercício cênico.

GRUPO UM (manhã)

“ Eu achei legal os movimentos.”

“ Eu não dancei, mas eu brinquei.

“ Tinha horas que eu podia falar e horas que eu não podia falar.”

“ Eu fiz os dois. Eu dancei e observei.”

“ Quando eu olhava, eu tinha idéia de dança!”

“ Eu vi brincadeiras de amarelinha, corda bamba, morto-vivo…”

GRUPO DOIS (tarde)

“ Eu gostei da brincadeira que eu fiquei controlando ele. “

“ Eu fiquei com vergonha, mas depois eu fui dançar. “

“ Eu fiquei com friozinho na barriga.”

“ Eu entrei quando a professora entrou.”

Balangandança: Quem gostou deste tipo de dança?

“ Eu gostei, eu amei! “

Balangandança: Que tipo de nome a gente poderia dar para esta dança?

“ Dança brinquedo”

“ Essa dança não foi inventada com tinta, cola…Foi inventada com a cabeça!

Balangandança: Com o corpo todo!

“ É, a imaginação, tem tudo!

Para saber mais sobre os outros Atelier visitados pelas crianças da Escola, clique em:

http://www.escolaviva.com.br/eventos_inf_visita_artistas09.htm

Read Full Post »

dia 25 de março

Por Maristela

o tempo da pele

escuta

o tempo da prontidão, da lentidão

o tempo da comunicação

a pele do tempo

o tempo que corre

e o que não sai do lugar

outro dia uma amiga Clara e bailarina me contou que outra bailarina chamada Anzu Furukawa disse que os crocodilos que têm uma pele áspera e cascuda “possuem noção absolutamente diferente do tempo, talvez nenhuma”…porque ele é “imemorial”. O crocodilo está nesse planeta há muito muito tempo…

guardei isso…imemorial

já em um outro dia no Balangandança senti minha pele lisa com sardinhas e pêlos conter muitas coisas além de mim… memórias

a minha pele me carrega e eu carrego ela

ela muda de textura às vezes, como quando eu danço

minha pele tem geografias, mapas e tesouros que eu ainda desconheço

esses e outros descobrimentos têm sido cartografados em forma de dança para crianças na Balangandança Cia. durante o projeto “Dança em Jogo”

Estamos desenvolvendo contornos de muitos afetos…a nossa pele está em contato com crianças e a delas com a pele do mundo

crescer às vezes dói no tempo

e deixa paisagens na pele

como as minhas, as suas e as dos crocodilos

Read Full Post »

Do começo

DO COMEÇO

Por Georgia

Só pra localizar, esse processo começou no início de fevereiro. Apesar disso, a pesquisa da Cia. centrada em um trabalho de improvisação criado para crianças começou antes, no projeto “Balanço, de trás prá frente…”. Em 2009, investigamos o olhar da criança com relação ao movimento e a recepção de uma apresentação sem estruturas, nem temas pré-definidos. Vale dizer que a improvisação sempre esteve presente no trabalho da Cia. de diferentes maneiras e – em cena – em graus cada vez maiores. Também, que a reflexão e discussão entre nós tem papel e horário garantido semanalmente. Nestes dois primeiros meses de trabalho algumas escolhas foram feitas pela Direção para orientar o trabalho prático e aconteceram com base no trabalho já realizado anteriormente. Uma delas é o trabalho de preparação corporal que a partir de técnicas de educação somática teve como foco escolhido a “pele”. Os motivos principais? Por ser o maior órgão do corpo e estabelecer esta relação/limite entre dentro e fora do corpo. Por ser porosa e ao mesmo tempo impermeável e por trazer uma qualidade de movimento específica e sensível, que amplia a percepção do corpo como um todo e abre para a troca, tão necessária para o trabalho de improvisação. Outra é a utilização da palavra: como utilizá-la, quando e por quê? Uma terceira é o resgate de memórias dos integrantes sobre suas infâncias ou sobre infância; temas, histórias pessoais, vivências e escolha de objetos. Brincadeira, jogo, sempre presentes, vitaminam constantemente o dia-a-dia. Assim, algumas técnicas expressivas estão se construindo especialmente nesse processo, propostas pela direção e alimentadas pelas discussões e pelo trabalho prático dos criadores-intérpretes num trânsito contínuo. O que estamos pesquisando: tema norteador – pele: descolar do osso, soltar, sensibilizando, abrindo espaço – sensação do corpo todo – diferentes tipos de toque – relação com ar: vento/ocupação de espaço.

DE UM DOS DIAS

Por Alexandre

Quinta-feira, 25 de março. Preparação/treinamento corporal para atuação no Dança em Jogo (03h30min).

Pele: toque 2-2 (BMC). Georgia: “Deixar a sensação ir para cinético; a pele é impermeável e porosa; existe troca de informação mas nem tudo se mistura”. Tônus Muscular: deixar a pele do rosto relaxar e esticar sem tencionar. Mesclar movimentos técnicos, de tônus, alinhamento etc.; deixar as imagens passarem; presentificar o movimento; o movimento ocupa o corpo, simples ou complexo; enraizar para ter sustentação; deixar o olhar (mesmo interno) fazer parte; uma palavra que completa o movimento, o corpo: vento, lesma com sal; não deixar parar na imagem; à milanesa, esconderijo; deixar ir para o cinético, para o sensível; janela, algodão doce; conexão rápida com a palavra, com o movimento, com a dança; diabinho, demônio da Tazmânia; sensível, pele, grandes movimentos; banho; não é só para representar a imagem; abraçar a si mesmo e os outros.

Dos abraços apareceram carregamentos, giros… a pele como uma referência sensível do que é permeável e poroso, daquilo que nos separa e nos faz estarmos juntos, que é nosso limite, nosso contorno, nossa embalagem.

Dafne, Ders, Estela e Sabine

Dafne e Ale

Ders e Estela

trabalho de toque - tema pele

Read Full Post »